A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) reuniu nesta quarta-feira (19), na Unibes Cultural, 325 participantes para a 19ª edição do Seminário do Envelhecimento, que neste ano teve como tema “O Envelhecimento no Século XXI – Direitos e Cuidado”. Com 18 palestrantes e especialistas de diferentes áreas, o encontro discutiu os desafios de uma sociedade cada vez mais longeva, com foco em dignidade, protagonismo, saúde, autonomia, direitos e novas formas de cuidado.




Uma das novidades desta edição foi a participação, pela primeira vez, da JDC – The Joint, que trouxe ao Brasil um grupo de cerca de 30 profissionais de diferentes países da América Latina, ampliando a troca de experiências e dando ao seminário uma dimensão internacional. Participaram representantes de Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, México e Panamá, além de profissionais de outras regiões do Brasil.
Em sua fala de abertura, a presidente da Fisesp, Célia Parnes, propôs uma reflexão sobre a própria maneira de compreender o envelhecimento. A partir do conceito judaico de kavod (honra), defendeu que a longevidade seja encarada não apenas sob a perspectiva das perdas, mas como um novo mapa da vida, que exige repensar educação continuada, trabalho, relações entre gerações, participação social e propósito.
Liora Alcalay, presidente da Unibes, destacou a importância de discutir o envelhecimento diante de uma sociedade cada vez mais longeva e defendeu a construção de caminhos que garantam às pessoas idosas mais autonomia, participação, respeito e dignidade.

O diretor regional do Joint para a América Latina, Sérgio Widder, ressaltou que o envelhecimento das comunidades judaicas integra uma discussão mais ampla sobre as mudanças demográficas na região. “Estamos muito agradecidos à Fisesp pela oportunidade de participar deste seminário e trazer profissionais de comunidades de diversos países da América Latina . A longevidade não diz respeito somente às tarefas de cuidado das pessoas mais velhas, mas também às oportunidades de envolvê-las na vida comunitária e pensar o que as comunidades judaicas podem oferecer às pessoas com 65 anos ou mais.”, afirmou Widder.

O presidente executivo da Fisesp, Ricardo Berkiensztat, destacou o crescimento do evento ao longo de quase duas décadas e sua crescente projeção internacional.
A escolha de direitos e cuidado como eixos centrais desta edição reflete a importância desses temas para a promoção de um envelhecimento com saúde, dignidade e qualidade de vida. “As pessoas estão vivendo mais e com mais qualidade, e é fundamental aprofundar a discussão sobre como trabalhar com essa população. Conhecer e assegurar os direitos da pessoa idosa, assim como fortalecer as redes de cuidado, são aspectos fundamentais para que a longevidade seja vivida com saúde e dignidade”, concluiu Sueli Schreier, gerente de projetos na área do envelhecimento da Fisesp.

A programação abordou temas como longevidade ativa, saúde integral, qualidade de vida, inovação no cuidado, autonomia e independência da pessoa com deficiência, direitos da pessoa idosa e experiências internacionais de cuidado. O público também acompanhou a exibição do documentário O envelhecer de cada um, seguida de mesa-redonda, além de uma apresentação do Pod Pratear, podcast dedicado ao público 50+.

Um dos momentos marcantes do encontro foi a homenagem a Raul Meyer, de 82 anos, por sua trajetória de atuação comunitária. Com passagens por instituições como Fisesp, CIP, Comunidade Shalom e Centro de Cultura Judaica, Meyer é reconhecido especialmente pelo trabalho de diálogo inter-religioso.


“A homenagem não é apenas para mim, mas para todos aqueles que ultrapassaram os 80 anos e continuam ativos. Precisamos apoiar essas pessoas, porque a comunidade tem vários expoentes fantásticos que seguem trabalhando e contribuindo”, disse Meyer.
Realizado com o patrocínio do Hospital Israelita Albert Einstein e apoio da CIP, Unibes e Unibes Cultural, o 19º Seminário reforçou a proposta de olhar para o envelhecimento não apenas como uma questão de assistência, mas como uma etapa da vida marcada por direitos, possibilidades, experiência e participação social.

Às vésperas de completar sua 20ª edição, em 2027, o seminário chega a esse marco ampliando fronteiras e reforçando a troca de experiências entre profissionais e organizações brasileiras e latino-americanas em torno de um desafio comum: não apenas viver mais, mas garantir que os anos conquistados sejam vividos com dignidade, autonomia, cuidado e protagonismo.













