Chegou ao fim neste fim de semana a missão Hassefá Ba’Aretz 2025, promovida pela Federação Israelita do Estado de São Paulo em parceria com o Keren Hayesod (Fundo Comunitário). A iniciativa reuniu lideranças voluntárias e profissionais de diversas instituições da comunidade judaica paulista para uma semana de imersão em Israel, em um momento histórico e desafiador para o povo judeu.

A missão teve como objetivo fortalecer o vínculo com o Estado de Israel e oferecer uma compreensão aprofundada dos temas mais críticos da agenda israelense atual, incluindo segurança, diplomacia, identidade e memória.

A delegação passou por diversas regiões do país, incluindo o Sul de Israel, onde visitou a cidade de Sderot, uma das mais atingidas pelos ataques do Hamas em 7 de outubro. O grupo também esteve no local onde acontecia o Festival Nova, hoje transformado em um memorial vivo às vítimas do massacre.
Em Jerusalém, no Knesset, os participantes se reuniram com parlamentares israelenses de diferentes partidos, incluindo Benny Gantz (Unidade Nacional), membro-chave do Gabinete de Guerra. O grupo também foi recebido por Avi Dichter e Afef Abed, ambos do Likud, em uma conversa franca sobre os rumos da democracia israelense, os desafios nas fronteiras e a resiliência do Estado diante da guerra.

Um dos momentos mais comoventes da missão foi o encontro com Mia Schem, jovem israelense sequestrada pelo Hamas durante o ataque ao Festival Nova. Libertada após quase dois meses de cativeiro em Gaza, Mia compartilhou seu relato com a delegação. A tatuagem em seu braço, “We will dance again – 07.10.2023”, simboliza hoje a esperança de um país inteiro por reconstrução e vida.

A agenda também incluiu visitas às Colinas de Golan, à cidade de Metula, à fronteira síria e ao Monte Adir, onde os participantes ouviram especialistas em segurança nacional. Em Tel Aviv, a comitiva foi recebida na Embaixada do Brasil por Fábio Moreira Farias, ministro-conselheiro, para um diálogo sobre as relações Brasil–Israel em meio à tensão diplomática atual.

Ainda em Tel Aviv, a delegação se reuniu com a jurista Cochav Elkayam-Levy, presidente da Comissão Cível sobre Crimes contra Mulheres e Crianças nos ataques de 7 de outubro reforçando o compromisso da missão em ouvir múltiplas vozes da sociedade israelense e compreender a complexidade dos desafios humanitários vividos hoje.

A jornada foi encerrada com dois momentos de profundo simbolismo: o Kabalat Shabat no Kotel (Muro das Lamentações) e a visita ao Cemitério Militar do Monte Herzl, onde foram prestadas homenagens aos soldados mortos desde o início da guerra. A última atividade foi uma palestra com o jornalista palestino-israelense Suleiman Maswadeh, que trouxe uma visão crítica e empática sobre convivência e narrativa em tempos de conflito.

“Ver Israel neste momento é essencial para entender a dor e a força do nosso povo. Voltamos com a alma transformada e o compromisso renovado com a responsabilidade da liderança comunitária”, declarou Marcos Knobel, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

Texto e fotos: Jairo Roizen.













