Fisesp e Memorial do Holocausto lançam série documental “O que eles viveram”, com histórias inéditas de sobreviventes do Holocausto

Primeiro episódio traz Ariella Pardo Segre, protagonista da campanha “Diga Não ao Antissemitismo”, vista mais de 6 milhões de vezes

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Ariella Pardo Segre. Foto: Jairo Roizen.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e o Memorial do Holocausto lançaram hoje “O que eles viveram”, uma série documental em oito episódios que já está disponível no YouTube e nos principais tocadores de podcast, como Spotify, Apple Music, Deezer e Tidal. A produção traz relatos profundos e pessoais de oito sobreviventes do Holocausto que compartilharam suas memórias para que as novas gerações possam compreender o impacto real da perseguição nazista e a importância de combater o ódio ainda hoje.

O episódio de estreia apresenta a história de Ariella Pardo Segre, sobrevivente do Holocausto e figura conhecida do grande público por ter estrelado a campanha “Diga Não ao Antissemitismo”, iniciativa da Fisesp e do Memorial do Holocausto que ultrapassou a marca de 6 milhões de visualizações nas redes sociais. Agora, Ariella retorna para contar, em primeira pessoa, a fuga dramática que viveu aos três anos de idade.

Nascida em 1940, em Trieste, na Itália, Ariella viu sua infância ser interrompida em 1943, quando um vizinho alertou sua família sobre a aproximação da Gestapo. A partir dali, começou uma corrida desesperada rumo à Suíça. Em meio à travessia dos Alpes cobertos de neve, sua mãe caiu em uma fissura entre as montanhas, um episódio que marcou toda a trajetória da família. Dias de caminhada, frio intenso, incertezas e medo se misturaram até o momento em que alcançaram a fronteira suíça e encontraram a chance de sobreviver. No pós-guerra, Ariella retornou à Itália ainda criança e, anos mais tarde, reconstruiu sua história no Brasil, onde formou família e mantém viva a memória daqueles tempos.

Além de preservar relatos como o de Ariella, a série reforça o papel do Memorial do Holocausto de São Paulo como espaço de memória, educação e reflexão. Localizado na primeira sinagoga do Estado, o Memorial se dedica a honrar as 6 milhões de vítimas judias e outros grupos perseguidos pelo regime nazista. Desde 2017, promove encontros com sobreviventes, recebe escolas, participa de projetos educacionais e fomenta o diálogo como ferramenta de combate ao ódio e ao preconceito. A visitação é gratuita, imersiva e multissensorial, com agendamento pelo site do Memorial.

Reconhecida como a entidade teto da comunidade judaica paulista, a Federação Israelita do Estado de São Paulo reúne mais de 60 entidades federadas e atua em diversas frentes, entre elas cultura, educação, política comunitária, assistência social, segurança, juventude e terceira idade. Sua missão é fortalecer o judaísmo e preservar a continuidade dos valores e tradições, além de ser o elo com a sociedade brasileira por meio de ações conjuntas, apoio institucional e projetos próprios.

Com “O que eles viveram”, Fisesp e Memorial reafirmam seu compromisso com a memória, a educação e o enfrentamento ao antissemitismo, transformando relatos pessoais em ferramentas de conscientização coletiva.

Assista ao episódio de estreia no YouTube e ouça a série nas principais plataformas de áudio.