A exibição inédita no Brasil do documentário Soul on Fire, que retrata a trajetória de Elie Wiesel, marcou o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro, e reuniu um público lotado no Cine Belas Artes, em São Paulo. A sessão especial promoveu uma noite de reflexão sobre memória, testemunho e responsabilidade histórica, conectando diferentes gerações em torno do legado do sobrevivente, escritor e Prêmio Nobel da Paz.
Promovido pelo Ministério da Cultura, pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), pela Congregação Israelita Paulista (CIP), pela StandWithUs Brasil e pela revista Kadimah, o evento contou com um debate após a exibição, com a participação do professor da Universidade de São Paulo Gabriel Steinberg Schvartzman e do advogado Fernando Lottenberg, ex-presidente da Conib e primeiro Comissário para o Monitoramento e Combate ao Antissemitismo da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Narrado em grande parte pela própria voz de Elie Wiesel, Soul on Fire conduz o público por sua experiência como jovem judeu deportado para os campos de concentração de Auschwitz e Buchenwald, pela perda de sua família e pelo processo de reconstrução de vida no pós-guerra. O documentário destaca ainda sua atuação como uma das principais vozes da literatura do século XX e como referência mundial na defesa da memória do Holocausto e dos direitos humanos.
Durante o debate, Fernando Lottenberg ressaltou o papel central de Wiesel como porta-voz dos sobreviventes. Segundo ele, a força da obra de Elie Wiesel está na capacidade de transformar um testemunho profundamente pessoal em uma mensagem universal. Lottenberg lembrou que, como muitos sobreviventes, Wiesel levou anos até conseguir falar sobre sua experiência e que sua escrita ajudou a romper o silêncio que marcou o período pós-Holocausto. Para ele, o legado deixado por Wiesel está diretamente ligado à responsabilidade coletiva de lembrar, como forma de impedir a repetição da barbárie e afirmar a dignidade humana.
Gabriel Steinberg Schvartzman destacou que a memória é o eixo central tanto do filme quanto da trajetória de Elie Wiesel. O professor citou uma das reflexões mais conhecidas do autor, segundo a qual esquecer os mortos seria matá-los novamente, e afirmou que, para Wiesel, lembrar era um imperativo moral. Schvartzman também alertou para os riscos do revisionismo histórico e da banalização do Holocausto, observando que comparações imprecisas e narrativas distorcidas esvaziam o significado da tragédia. Para ele, a obra de Wiesel permanece fundamental para preservar a verdade histórica e impedir relativizações.
A presidente da Congregação Israelita Paulista, Laura Feldman, destacou o impacto educativo do documentário. Segundo ela, Soul on Fire é uma obra necessária para a educação sobre o Holocausto e para a transmissão da memória às novas gerações. Feldman mencionou uma das cenas do filme, que mostra uma atividade com alunos de uma escola nos Estados Unidos, como um exemplo da força transformadora da memória quando compartilhada de forma sensível e responsável.
A sessão lotada e o intenso debate ao final da exibição reforçaram a atualidade da mensagem de Elie Wiesel e a importância de iniciativas culturais voltadas à preservação da memória do Holocausto. Em um contexto de crescimento do ódio, da intolerância e do antissemitismo, o evento reafirmou o papel da cultura e da educação como ferramentas essenciais para a conscientização, o combate à desinformação e a defesa dos valores humanos universais.
A exibição de Soul on Fire foi uma realização da Confederação Israelita do Brasil, da Federação Israelita do Estado de São Paulo, da Congregação Israelita Paulista, da StandWithUs Brasil e da Kadimah, com patrocínio do Itaú, Bemol, Rosset, Tricostyl, Smartstorage e Aurora, e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Cine Belas Artes.












