O Theatro Municipal de São Paulo foi palco, na noite desta quarta-feira (28), de uma cerimônia marcada por emoção, memória e reconhecimento. Entre os 22 homenageados do Prêmio Cidade de São Paulo, concedido a pessoas, empresas e instituições que fazem a diferença na capital, um dos momentos mais simbólicos da noite foi a homenagem à Margot Bina Rotstein, sobrevivente do Holocausto e referência de resiliência, reconstrução e contribuição para a cidade que a acolheu.
O prêmio reconhece trajetórias que impulsionam o desenvolvimento social, econômico e urbano da capital paulista. Para a Federação Israelita do Estado de São Paulo, a homenagem a Margot representa também o reconhecimento da história da imigração judaica, da memória do Holocausto e da capacidade de São Paulo de acolher vidas que ajudaram a construir a cidade.
Margot tinha apenas seis anos quando deixou a Alemanha nazista, carregando consigo uma mala e uma boneca, em fuga da perseguição antissemita. Após passar pela Bolívia, chegou ao Brasil em 1947 e encontrou em São Paulo o espaço para reconstruir sua vida. Foi na capital paulista que formou família, construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pelo afeto e pelo compromisso com a cidade que lhe abriu as portas.
Ao longo de quase oito décadas, Margot testemunhou transformações históricas da capital — do Quarto Centenário à inauguração do MASP, da Bienal ao surgimento do metrô — acompanhando de perto o crescimento de São Paulo como metrópole diversa, plural e acolhedora.
“É muito emocionante ter o privilégio de fazer parte dos premiados desta comemoração aos 472 anos de São Paulo. Há praticamente 80 anos, em um momento de extrema fragilidade, fui acolhida com respeito, carinho e braços abertos por essa terra da garoa. Desde então, São Paulo está no meu coração”, afirmou Margot durante a cerimônia. “Compartilho este prêmio com tantos outros sobreviventes que também encontraram aqui a oportunidade de reconstruir suas vidas e contribuir com o desenvolvimento da cidade.”
A solenidade contou com a presença do prefeito Ricardo Nunes, que destacou o papel dos homenageados na construção diária da cidade, além de apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob regência dos maestros Roberto Minczuk e João Carlos Martins. Cada homenageado recebeu um certificado oficial e a Medalha Prêmio Cidade de São Paulo, símbolo do reconhecimento público às trajetórias que refletem a diversidade e a complexidade da maior metrópole do país.
Ao homenagear Margot Bina Rotstein, o Prêmio Cidade de São Paulo reafirma não apenas a importância da memória e da história, mas também o valor do acolhimento, da reconstrução e da contribuição de quem transformou dor em vida, e vida em legado. Para São Paulo — e para a comunidade judaica — trata-se de um reconhecimento que ecoa como testemunho de que a cidade também se constrói a partir da resistência, da dignidade e da esperança.
Fotos de: JFDiorio/SECOM












