Exposição “Sobreviventes” reúne retratos de vítimas do Holocausto que reconstruíram suas vidas no Brasil

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A exposição “Sobreviventes” foi aberta ao público no dia 25 de janeiro, na Hebraica SP, em São Paulo, reunindo 40 retratos de homens e mulheres que sobreviveram ao Holocausto e reconstruíram suas vidas no Brasil. A mostra apresentou histórias de resistência, continuidade e legado, destacando trajetórias que ajudaram a moldar a sociedade brasileira no pós-guerra.

Com curadoria e fotografia de Luiz Rampazzo e Eduardo El Kobbi, a exposição integrou as ações em torno do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro. As imagens não se concentraram apenas na tragédia, mas lançaram um olhar sobre a vida após a barbárie, evidenciando processos de reconstrução e preservação da memória.

Entre os retratados esteve Gabriel Waldman, de 88 anos, sobrevivente do Holocausto que chegou ao Brasil em 1951, vindo da Hungria. Sua trajetória compôs o conjunto de histórias que deram rosto e voz à exposição. “É indispensável que o Holocausto seja sempre relembrado por tudo o que representou e significou, não só para os judeus, mas para toda a humanidade”, afirmou.

Para o rabino Tov Weitman, diretor do Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto de São Paulo, a exposição cumpriu um papel essencial ao transformar a memória do Holocausto em uma experiência concreta, humana e acessível, reforçando a responsabilidade histórica e educativa de preservar o testemunho dos sobreviventes.

A abertura da mostra também marcou o lançamento do livro “Eles se Amaram em Auschwitz”, da escritora Keren Blankfeld, neta do sobrevivente Dov Orni, que completou 100 anos em dezembro de 2025. A obra, baseada em reportagem publicada no The New York Times em 2019, narra a história real de Dov Orni e dos sobreviventes David Wisnia e Zippi Spitzer, que se conheceram e se apaixonaram no campo de extermínio de Auschwitz e se reencontraram apenas 70 anos após o fim da guerra. O livro tornou-se um best-seller internacional, traduzido para 16 idiomas.

A realização da exposição ocorreu em um contexto de alerta revelado por uma pesquisa inédita sobre o nível de conhecimento da população brasileira a respeito do Holocausto. O estudo, conduzido ao longo de 2025 com 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas, indicou que, embora 59,3% dos entrevistados afirmem ter algum conhecimento sobre o tema, apenas 53,2% conseguiram defini-lo corretamente, e mais da metade não soube identificar Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio.

Segundo os organizadores, a exposição foi concebida como um espaço de encontro entre memória e vida presente. “Cada retrato carregou não apenas a lembrança do Holocausto, mas a força da reconstrução, da continuidade e da vida que seguiu”, destacou Luiz Rampazzo. Para Eduardo El Kobbi, a mostra convidou o público a refletir sobre memória, responsabilidade e o compromisso permanente de garantir que o passado nunca se repita.