Não há justificativa para o terrorismo, afirma Célia Parnes na Alesp

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A presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Célia Parnes, teve participação de destaque na Sessão Solene realizada na noite de segunda-feira (2), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em homenagem ao retorno dos reféns sequestrados nos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 e à memória das vítimas assassinadas pelo terrorismo.

Em sua fala, Célia afirmou que a cerimônia não poderia ser “confortável nem complacente” diante da dimensão dos crimes cometidos. Ao lembrar que nem todos os reféns retornaram com vida, denunciou a lógica de desumanização promovida pelo terrorismo, que transforma pessoas em moeda de barganha e mantém corpos retidos mesmo após a morte. “Isso não é apenas crueldade, é a violação final da dignidade humana”, afirmou.

A presidente destacou o compromisso ético e humanitário do Estado de Israel com a dignidade das vítimas, citando o trabalho das Forças de Defesa de Israel para a identificação do último refém mantido em Gaza. Segundo Célia, foram necessárias 250 autópsias para localizar o DNA de uma única vítima, em um esforço que simboliza a recusa em reduzir seres humanos a números. “Enquanto o terrorismo aposta no sequestro, na ocultação e na destruição de corpos, Israel responde com respeito, memória e identidade. Essa é a diferença moral”, ressaltou.

Célia Parnes também alertou para os riscos da distorção da memória histórica e da diluição deliberada dos fatos, especialmente em relação ao Holocausto. Ao criticar o uso de expressões genéricas que apagam o caráter antissemita do crime, foi enfática: “Foram seis milhões de judeus assassinados por serem judeus. Tornar essa tragédia abstrata enfraquece a verdade histórica e alimenta o antissemitismo contemporâneo”.

A sessão solene foi promovida pelos deputados estaduais Danilo Campetti e Gil Diniz, no Plenário Juscelino Kubitschek, e reuniu parlamentares, autoridades, lideranças comunitárias e representantes da comunidade judaica. Durante a cerimônia, o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, e a vice-cônsul Gili Vilian receberam o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta honraria concedida pela Alesp.

Ao encerrar sua participação, Célia Parnes reforçou o papel das instituições democráticas diante do terrorismo e do discurso de ódio. “Há momentos da história em que a neutralidade deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade”, afirmou, destacando a importância de ações legislativas concretas no combate ao antissemitismo, na preservação da memória e na defesa da dignidade humana.

A cerimônia reafirmou o compromisso institucional de que São Paulo não normaliza o terror, não relativiza o antissemitismo e não aceita a desumanização seletiva.

📷 Rodrigo Romeo/Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Assista ao discurso de Célia Parnes, durante a Sessão Solene