Claudio Lottenberg participa de sessão na ONU, promovida pelo WJC, sobre futebol e antissemitismo

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O futebol é uma das mais poderosas linguagens universais. Capaz de unir culturas, inspirar gerações e mobilizar milhões de pessoas, o esporte também carrega a responsabilidade de enfrentar desafios que ultrapassam as quatro linhas. Foi com esse propósito que o World Jewish Congress promoveu uma sessão na ONU dedicada ao papel estratégico do futebol no combate ao racismo sistêmico, ao antissemitismo e a todas as formas de discurso de ódio.

O presidente da Conib, Claudio Lottenberg, participou do encontro. “A mensagem foi simples e muito importante: o futebol tem um enorme poder de unir as pessoas, mas precisa enfrentar também com firmeza o racismo, o antissemitismo e todas as formas de discurso de ódio.

Também discutimos como a educação e a preservação da memória são fundamentais para que o esporte seja cada vez mais um espaço de inclusão, respeito e convivência. Foi uma conversa inspiradora sobre como o futebol pode ajudar a construir uma sociedade melhor. Numa época de Copa do Mundo não basta apenas participarmos ativamente das torcidas por nossos países, mas, sim, temos que aproveitar para fazer deste momento algo forte de integração como o esporte sempre se propôs a fazer. Aqui, eu ouvi coisas muito tristes que não podem se repetir, mas que, infelizmente, têm se acentuado dentro dos comportamentos das torcidas que deveriam buscar, sim, convergência e não agressão. Vamos seguir trabalhando por isso”, destacou Lottenberg.

O encontro reuniu líderes e representantes de várias instituições judaicas mundiais. A discussão destacou o papel estratégico do futebol como uma das plataformas de maior alcance social para promover o respeito, a inclusão e a convivência democrática. Os participantes reconheceram o contraste entre o ideal do esporte como instrumento de integração e os desafios concretos impostos pela persistência de cânticos discriminatórios, ataques virtuais e comportamentos intolerantes que ainda afastam pessoas dos espaços esportivos.

Um dos principais consensos da sessão foi a necessidade de uma ação coletiva. Combater o antissemitismo não significa enfrentar uma causa isolada, mas fortalecer a resistência contra todas as formas de preconceito e discriminação. Cada iniciativa voltada à proteção da dignidade humana amplia a capacidade da sociedade de responder ao racismo, à xenofobia e ao discurso de ódio em suas múltiplas manifestações.

Ao resgatar histórias muitas vezes esquecidas, o debate evidenciou como narrativas individuais possuem um enorme poder de sensibilização. A trajetória do Hakoah Viena, símbolo do protagonismo esportivo judaico antes da Segunda Guerra Mundial, e o destino trágico de atletas como Eddie Hamel revelam como o regime nazista utilizou o esporte também como instrumento de exclusão, perseguição e desumanização de cidadãos judeus.
Mais do que preservar fatos históricos, essas histórias devolvem identidade às vítimas, transformando números em rostos, nomes e sonhos interrompidos. Elas demonstram que o esporte não está separado da sociedade, mas reflete seus desafios e, ao mesmo tempo, oferece uma oportunidade única para inspirar mudanças.

O encontro foi encerrado com um convite para olhar além dos resultados imediatos. A construção de uma cultura de respeito exige investimentos permanentes em educação, programas de longo prazo e o fortalecimento das comunidades locais para que conheçam, preservem e compartilhem sua própria história. Somente assim o futebol poderá exercer plenamente sua extraordinária capacidade de mobilizar pessoas, formar novas gerações e transformar sua paixão em um poderoso instrumento de reconciliação, inclusão e defesa da dignidade humana.

Quando o esporte se compromete com a memória, a educação e o respeito às diferenças, cada partida deixa de ser apenas uma competição e passa a representar uma oportunidade de construir uma sociedade mais justa, plural e verdadeiramente livre de todas as formas de ódio.


Claudio Lottenberg integra a Comissão de Combate ao Antissemitismo do World Jewish Congress (WJC) e é co-presidente do SECCA (Special Envoys and Coordinators Combating Antisemitism), grupo que reúne enviados especiais e coordenadores dedicados ao combate ao ódio antissemita em todo o mundo.

A nomeação representa um importante reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela Conib e amplia a participação brasileira nos esforços internacionais para fortalecer a memória, a educação e a defesa dos valores democráticos. Em um momento em que o enfrentamento ao discurso de ódio exige união e ação coordenada, iniciativas como esta reafirmam que o esporte pode e deve ser um poderoso instrumento de transformação social, promovendo respeito, inclusão e a construção de uma sociedade mais justa para todos.

Fotos: Ohad Kalb/WJC