Paulo Rosenbaum lança “Não Envelhecerás e Outras Histórias”

21

Médico, ensaísta e ficcionista, autor judeu paulistano reúne sete contos que atravessam Borges, o 11 de Setembro, a física e o Kilimanjaro para falar sobre tempo, identidade e permanência

Chega às livrarias brasileiras “Não Envelhecerás e Outras Histórias”, nova obra de ficção do médico e escritor Paulo Rosenbaum, publicada pela Editora Alta Books, sob o selo Minotauro. O livro reúne sete narrativas curtas que dialogam entre si por meio de temas caros ao autor: a passagem do tempo, a fragilidade da memória e os labirintos, literais e simbólicos, que atravessam a existência humana.

Quem é Paulo Rosenbaum

Nascido em São Paulo em 1959, Paulo Rosenbaum é médico, com formação e pós-doutorado pela USP, e escritor, com mais de uma dezena de livros publicados entre ensaios, poesia, contos e romances. É colunista do jornal O Estado de S. Paulo e autor de obras como “A Verdade Lançada ao Solo” (Record, 2010) e “Navalhas Pendentes” (Caravana, 2021), romance que já explorava a figura do labirinto, tema que retorna em sua nova obra.

Sobre o livro

Com sete contos, “Não Envelhecerás e Outras Histórias” propõe um mosaico de micro ficções que funcionam como “aberturas para embriões de ficções”, revelando na concisão o poder de síntese da narrativa curta.

Entre os destaques: em “Decifrando Dédalus”, o leitor acompanha Jorge Luis Borges em uma viagem a Londres para examinar um manuscrito enigmático; em “O Mundo Editado (Tekohá)”, um pesquisador investiga um professor às voltas com o labirinto de sua própria biblioteca; “A Pele que nos Divide” situa dois desconhecidos em Nova York no dia 11 de setembro; “Extinção” projeta um retrato especulativo sobre o futuro do gênero masculino; “Rivellino e as Partículas Erráticas” resgata a memória de um irmão desaparecido; e, encerrando a coletânea, “Presságio” e “Fairbanks” exploram premonições e o território dos sonhos.

Reflexão: o tempo como labirinto sem saída

O fio condutor entre essas histórias é a ideia de que o tempo, e a tentativa humana de driblá-lo é, ele mesmo, um labirinto. O título ecoa quase como uma promessa impossível: “não envelhecerás”. Rosenbaum sugere que envelhecer não é só uma questão biológica, mas um processo de perda e reconstrução de sentido, em que memória, fé, ciência e ficção se cruzam como caminhos que se bifurcam, em clara referência à tradição borgiana que o autor reverência em um dos contos.

Para o leitor da comunidade judaica, essa reflexão ganha camadas adicionais: os labirintos de Rosenbaum são também espaços de busca de identidade e permanência da tradição diante da passagem do tempo, temas que atravessam boa parte da produção do autor.

Recepção

Lançado neste início de ano pela Alta Books, o livro consolida a posição de Rosenbaum como uma das vozes autorais que transitam entre ciência, ensaio e ficção na literatura brasileira contemporânea. A obra já está disponível em formato físico e digital, com amostra do miolo disponibilizada gratuitamente pela editora.

Com uma escrita que recombina referências literárias, científicas e culturais, Rosenbaum reafirma seu interesse pelos limites entre razão e mistério, entre o que pode ser medido pela medicina e o que só a literatura, e talvez a fé, conseguem alcançar.