Christian Dunker, Jacques Fux e Petria Chaves debatem sobre trauma, memória e reparação no Diálogos CIP

10
Palestrantes com equipe da CIP

Congregação Israelita Paulista (CIP) promoveu, na quinta-feira, 25 de junho,, mais uma edição do projeto Diálogos, reunindo o psicanalista Christian Dunker e o escritor e pesquisador Jacques Fux para uma conversa profunda sobre trauma, memória, transmissão entre gerações e os caminhos possíveis para a reparação. A mediação foi conduzida pela jornalista e apresentadora da Rádio CBN, Pétria Chaves.

Ao longo do encontro, os convidados refletiram sobre como experiências traumáticas individuais, familiares e coletivas permanecem vivas ao longo do tempo e continuam produzindo efeitos nas gerações seguintes. A partir de diferentes perspectivas, mostraram que a memória não se transmite apenas pelos fatos vividos, mas também pelos silêncios, pelas ausências e por aquilo que não pôde ser elaborado.

Christian Dunker apresentou diferentes formas de compreender o trauma e destacou que, muitas vezes, o sofrimento se perpetua justamente quando não encontra espaço para ser narrado e elaborado. Também abordou os chamados “lutos infinitos”, comuns em experiências de violência coletiva, nas quais a perda não encontra um encerramento possível.

Jacques Fux aprofundou a discussão sobre a pós-memória, conceito que ajuda a compreender como filhos e netos de sobreviventes do Holocausto e de outras grandes tragédias históricas carregam marcas de acontecimentos que não viveram diretamente. Em sua fala, ressaltou o papel da literatura como instrumento de elaboração, preservação da memória e reconstrução das histórias familiares.

O debate também abordou pesquisas contemporâneas sobre a transmissão intergeracional do trauma, além dos desafios impostos pelos conflitos atuais, reforçando a importância de distinguir divergências políticas de discursos de intolerância e preconceito.

Como fio condutor de toda a conversa, permaneceu a ideia de que lembrar não significa permanecer preso ao sofrimento, mas criar condições para transformá-lo por meio da palavra, da escuta e da construção coletiva de sentido.

Ao encerrar o encontro, Petria Chaves destacou o papel fundamental da comunidade nesse processo de elaboração dos traumas.

“Quando falamos do Holocausto e de tantas experiências de violência que marcaram a história do povo judeu, percebemos a força que existe na comunidade. Poder compartilhar as dores, ressignificá-las e reconstruir sentidos coletivamente é um dos caminhos mais importantes para enfrentar o trauma. Ninguém elabora uma dor tão profunda sozinho.”

Com mais uma edição do Diálogos, a CIP reafirmou seu compromisso de promover encontros que aproximam pensamento, cultura e atualidade, estimulando reflexões fundamentais sobre os desafios do nosso tempo e fortalecendo a comunidade como espaço de escuta, pertencimento e construção coletiva.


O Diálogos – Ciclo de Encontros da CIP, foi realizado pela Congregação Israelita Paulista (CIP), com apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura e patrocínio de Itaú, Bemol, Rosset, Banco Safra, Tricostyl, Smart Storage e  Aurora.

Crédito fotográfico: Fabiana Koren