A Congregação Israelita Paulista (CIP) reuniu centenas de pessoas no último sábado, 23 de maio, para mais uma edição do “Ticun de Shavuot – Virada Cultural Judaica”, uma noite marcada por espiritualidade, estudo, música, dança e encontros em celebração a Shavuot.
Com o tema “Da fé à presença – Caminhos de encontros e transformação”, a programação propôs reflexões sobre convivência, identidade, educação e espiritualidade por meio de diferentes linguagens artísticas e culturais, reafirmando a tradição do Ticun de transformar o estudo noturno de Shavuot em uma experiência de conexão humana e construção coletiva de sentido.
Um dos momentos centrais da noite foi a participação do professor Daniel Fainstein, reitor e professor de Estudos Judaicos da Universidad Hebraica do México, convidado internacional do evento. Fainstein participou da gravação ao vivo do podcast JCast: Preciso Saber no painel “Martin Buber: O profeta do Encontro, numa Era de Desencontros”, mediado pela rabina Kelita Cohen.

Ao abordar o pensamento de Martin Buber, o professor destacou que a vida ganha sentido a partir do encontro genuíno com o outro. Com base na obra Eu e Tu, explicou as duas formas fundamentais de relação propostas pelo filósofo: a “Eu-Tu”, marcada pela presença, reciprocidade e reconhecimento da humanidade do outro, e a “Eu-Isso”, mais utilitária e necessária para o cotidiano, mas que, quando predominante, pode levar à desumanização. Segundo Fainstein, essa reflexão possui impactos concretos na educação, nas relações sociais e na construção da convivência e da paz.
Outro painel que mobilizou o público foi “Quando a minha presença vai contra a sua fé”, com Alessandra Liberman e Marina Gelman, cofundadoras do projeto ECOA — Executivos Contra o Antissemitismo.
O debate abordou o crescimento da intolerância religiosa e os desafios do ambiente corporativo, destacando a importância de promover espaços onde as pessoas possam expressar suas identidades de forma autêntica e segura. A apresentação trouxe ainda reflexões sobre vieses inconscientes, narrativas que alimentam estereótipos e os mecanismos que podem levar à desumanização e à violência.
A programação contou ainda com o tradicional Ticunzinho, dedicado às crianças. A atriz e arte-educadora Carla Passos apresentou contações de histórias inspiradas no livro O Tesouro do Campo e, na sequência, os pequenos participaram da 5ª edição do MasterCheff, decorando cupcakes em uma atividade lúdica e interativa. Enquanto isso, os pais participaram da roda de conversa “A presença que constrói – escuta, vínculos e tempos da infância”, conduzida pelas professoras Luciana Klar, Roselea Becher e Sylvania Kabiljo, do podcast Café com as Profas, em um encontro dedicado a reflexões sobre educação, infância e construção de vínculos.

Também houve apresentação do Coral Osher, performances dos grupos de dança Atid, Eretz e Nefesh, além do já tradicional Shirá beTsibur, encontro coletivo de canções judaicas que trouxe um clima de celebração e pertencimento.
Para a presidente da CIP, Laura Feldman, o Ticun consolidou-se ao longo dos anos como um importante espaço de encontro e fortalecimento comunitário. “Realizado há quase duas décadas, o Ticun da CIP tornou-se um dos principais encontros culturais e espirituais da comunidade judaica brasileira, promovendo diálogo, memória, aprendizado e fortalecimento dos vínculos comunitários por meio da cultura e da tradição judaica contemporânea”, destacou.

O rabino Natan Freller ressaltou a continuidade de uma tradição que se renova a cada geração. “Celebrar Shavuot virando a noite com estudos, cultura, música e dança já é uma tradição da CIP há décadas. Acreditamos que a Torá foi entregue no Monte Sinai, mas continua sendo revelada geração após geração. Precisamos fazer o nosso trabalho de ir ao encontro, de estar ao pé da montanha. É isso que fazemos no Ticun de Shavuot da CIP: revelar os aspectos escondidos do divino através de todas essas atividades maravilhosas”, afirmou.
A Virada Cultural Judaica também contou com praça de alimentação, oferecendo opções como falafel, pizzas doces e salgadas e bolos gelados.
O evento foi realizado pela Congregação Israelita Paulista e pelo Ministério da Cultura, com patrocínio de Itaú Unibanco, Bemol, Rosset, Banco Safra, Tricostyl, Smart Storage e Aurora.














