Três anos após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, a iniciativa preserva histórias, registra a reação da comunidade judaica brasileira e reafirma o compromisso de combater o antissemitismo e o silêncio diante do ódio.
O que acontece depois de uma tragédia que transforma vidas e abala uma comunidade inteira? Como transformar a dor em memória, a memória em ação e a união em esperança? Essas são algumas das reflexões que inspiram o vídeo-book “Depois daquele dia – como a comunidade judaica reagiu ao 7/10”, produzido pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e lançado no Teatro Anne Frank, no clube A Hebraica, encerrando o dia de homenagens às vítimas dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023.
A obra reúne experiências, sentimentos, iniciativas e reflexões que revelam como a comunidade judaica brasileira enfrentou um dos acontecimentos mais traumáticos de sua história recente. Mais do que documentar os fatos, o projeto da CONIB preserva um legado de mobilização, solidariedade e responsabilidade, para que as próximas gerações compreendam o impacto daquele dia e a força da resposta comunitária.

Na abertura do lançamento, o diretor de Comunicação da CONIB, Sergio Malbergier, destacou que a liberdade e a segurança ainda desfrutadas pela vida judaica no Brasil, em níveis superiores aos observados em muitas partes do mundo, também são resultado do trabalho dedicado e estratégico da liderança judaica e de milhares de judeus e judias do país.
Malbergier ressaltou o caráter coletivo da produção: mesmo que nem todos estejam representados no vídeo-book, todos podem se reconhecer nele. É justamente esse espírito comunitário que dá sentido à iniciativa: registrar não apenas o que aconteceu, mas como uma comunidade inteira encontrou caminhos para reagir, se organizar e seguir em frente.

Claudio Lottenberg lembrou que a história judaica é marcada por momentos de sofrimento e alegria, mas também por uma capacidade extraordinária de resistir, reconstruir e renovar a esperança. Ao recordar as primeiras notícias dos ataques, recebidas diretamente de Israel naquela madrugada, destacou a incredulidade diante da dimensão da violência e a percepção de que suas consequências ultrapassariam as fronteiras israelenses, alcançando comunidades judaicas em todo o mundo.
A onda de antissemitismo que se seguiu, acompanhada pela distorção de fatos e narrativas sobre Israel, tornou ainda mais necessária a atuação da CONIB e de tantas vozes comprometidas com a verdade. Nesse cenário, a entidade reafirmou seu papel na defesa da comunidade judaica, no enfrentamento ao ódio e na preservação da memória das vítimas, para que suas histórias não sejam apagadas nem deturpadas.
Lottenberg também ressignificou uma expressão profundamente enraizada na memória judaica: “nunca mais”. Mais do que o compromisso de impedir que tragédias como essa se repitam, trata-se de uma convocação à coragem e à responsabilidade: nunca mais se calar diante daqueles que desejam a destruição do povo judeu.
O lançamento do vídeo-book sintetizou o percurso de um dia de homenagens: do luto à memória, da memória à união e da união à esperança. Ao transformar testemunhos e experiências em patrimônio coletivo, a CONIB reafirma a importância de documentar a história, fortalecer os laços comunitários e manter viva a disposição de enfrentar o antissemitismo em todas as suas formas.
Três anos depois do 7/10, lembrar é honrar as vítimas. Preservar suas histórias é proteger a verdade. E permanecer juntos é demonstrar que, diante do terrorismo e do ódio, a comunidade judaica escolhe a memória, a coragem e a vida.
Porque “nunca mais” não é apenas uma promessa feita ao passado. É um compromisso diário com o futuro.
Fotos: Abner Palma













