Fisesp Day reúne lideranças e personalidades internacionais para debater os desafios do futuro e fortalecer a comunidade judaica

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Célia Parnes e Merav Shirom

Evento que marcou os 80 anos da Federação Israelita do Estado de São Paulo teve lançamento do FisApp, palestras sobre confiança, geopolítica e liderança, homenagem a soldados israelenses feridos e participação especial de Hen Mazzig e atores da série Fauda

Hen Mazzig
Yaakov Zada Daniel

A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) realizou neste domingo, 18 de outubro, no Teatro Porto Seguro, a primeira edição do Fisesp Day, reunindo lideranças, especialistas e personalidades nacionais e internacionais para refletir sobre os desafios do mundo contemporâneo e o futuro da vida comunitária.

O encontro, que integrou as comemorações dos 80 anos da Federação, abordou temas como confiança, comunicação, geopolítica, segurança, liderança e identidade judaica. Na abertura, Célia Parnes, presidente da Fisesp, destacou a importância de uma instituição que atua não apenas diante das crises, mas também na antecipação de desafios e na construção de soluções. Ao ressaltar o conceito de inteligência silenciosa, lembrou que o trabalho de proteção comunitária é ainda mais valioso quando seus resultados permitem que as pessoas vivam com tranquilidade. Segundo ela, a missão da Federação é fazer de São Paulo o melhor lugar do mundo para viver uma vida judaica segura, plena e livre.

A presidente da Fisesp Célia Parnes

Logo no início do evento, foi apresentado o  FisApp, aplicativo desenvolvido para integrar e fortalecer a comunidade judaica. Já disponível para iOS e Android, a plataforma reúne notícias, calendário comunitário, informações sobre entidades, projetos sociais, estabelecimentos comerciais e inscrições em eventos, além de um canal para denúncias de antissemitismo. A iniciativa representa mais um passo da Federação em direção ao conceito de comunidade inteligente, utilizando tecnologia e dados para ampliar a conexão entre pessoas, instituições e serviços.

Morris Ely
Dov Biggio

A programação de palestras começou com Luiz Fernando Lucas, no painel “Confiança em um mundo onde ninguém acredita em ninguém”, que abordou a importância da integridade, da coerência entre pensamento e ação e da educação na formação de cidadãos conscientes. Em seguida, Rogério Chequer, no painel “Quem controla a narrativa controla a realidade?”, discutiu os desafios da desinformação e das fake news, defendendo a empatia, a escuta e a comunicação estratégica como instrumentos para combater narrativas falsas. Já Marcos Troyjo, que participou remotamente do painel “Geopolítica explicada para quem precisa tomar decisões”, analisou a transição de um mundo marcado pela globalização para uma nova ordem em que segurança, tecnologia, inteligência artificial e disputas geopolíticas assumem papel central, destacando também os desafios e oportunidades para Brasil e Israel.

Luiz Fernando Lucas
Rogério Chequer
Painel com Marcos Troyjo

Um dos destaques internacionais foi a participação do escritor e ativista israelense Hen Mazzig, cofundador do Tel Aviv Institute, que conduziu uma reflexão sobre “A volta das comunidades: por que as pessoas ainda precisam de comunidade?”. Ao abordar o crescimento do antissemitismo após os ataques de 7 de outubro de 2023, Mazzig ressaltou a importância do pertencimento, do orgulho da identidade judaica e das conexões humanas reais, defendendo que os vínculos comunitários têm um impacto mais profundo do que o alcance das redes sociais.

Painel com Hen Mazzig

Na sequência, João Doria, empresário e ex-governador de São Paulo, participou do painel “Segurança e Liderança: quem ainda quer estar no driving seat?”, no qual relembrou decisões tomadas durante a pandemia, os desafios e custos pessoais da liderança e a importância de agir com coragem e responsabilidade. Doria também manifestou preocupação com o crescimento do antissemitismo e manifestou todo seu apoio e gratidão à comunidade judaica.

Painel com João Doria
João Doria

A programação reservou ainda um momento de emoção com a homenagem a quatro soldados israelenses feridos em combate e atendidos pelo Beit Halochem, instituição dedicada à reabilitação física, psicológica e social de militares e integrantes das forças de segurança de Israel. Os relatos de superação deram uma dimensão humana aos impactos da guerra e à importância do trabalho realizado pela organização.

Homenagem aos soldados atendidos pelo Beit Halochem

Na sequência, os atores israelenses Yaakov Zada Daniel e Meirav Shirom, que interpretam Eli e Dana na série Fauda, sucesso internacional da Netflix, participaram do painel “Fauda – Quando a ficção encontra a realidade”. Os artistas compartilharam experiências das gravações da quinta temporada, marcada pelos acontecimentos de 7 de outubro, e refletiram sobre como os dramas retratados na ficção se aproximam das histórias reais dos soldados e de suas famílias. O encontro reforçou a conexão entre arte, memória, resiliência e os desafios enfrentados pela sociedade israelense.

Yaakov contou que seu personagem enfrenta a perda da esposa e dos dois filhos e que buscou inspiração no sofrimento vivido pela sociedade israelense para interpretar essa experiência. “É como se fosse a minha própria perda”, afirmou durante o painel. O ator também revelou que sua experiência no serviço militar israelense contribuiu para a construção do personagem e que as gravações tiveram um efeito quase terapêutico, permitindo transformar emoções reais em atuação.

Merav Shirom e Yaakov Zada Daniel

Meirav Shirom, por sua vez, destacou a importância da representação feminina em posições de liderança e contou que, para construir sua personagem, conheceu mulheres que desempenham, na vida real, funções semelhantes às de Dana em estruturas de segurança e inteligência. A atriz também revelou que a preparação para a quinta temporada foi profundamente marcada pelos acontecimentos de 7 de outubro. Segundo ela, o elenco praticamente não precisou ensaiar, tamanha a intensidade das experiências vividas naquele período.

Merav Shirom

Ao encerrar o Fisesp Day, Célia Parnes reforçou que as reflexões apresentadas ao longo da tarde devem se transformar em iniciativas concretas para fortalecer a comunidade e preparar as próximas gerações. “O futuro não é uma herança garantida, é uma conquista permanente”, afirmou. O evento reafirmou o compromisso da Fisesp de se reinventar, combinando seus 80 anos de história com inovação, inteligência, proteção e cooperação, para construir uma comunidade cada vez mais conectada, segura e preparada para os desafios do futuro.

Paula Parnes e Jairo Roizen