Hillel São Paulo e A Hebraica realizam evento com Roberto Cabrini e Rafael Rozenszajn

Encontro ocorreu no Teatro Arthur Rubinstein e contou com aproximadamente 500 pessoas

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Roberto Cabrini entrevista Rafael Rozenszajn. Foto: Abner Palma.

Na última terça-feira, 18, o clube A Hebraica, em parceria com o Hillel São Paulo, realizou o evento “Roberto Cabrini entrevista Rafael Rozenszajn – A Guerra das Narrativas”. O encontro ocorreu no Teatro Arthur Rubinstein e contou com aproximadamente 500 pessoas prestigiando o renomado jornalista Roberto Cabrini e o Major Rafael Rozenszajn, advogado e militar, que assumiu a função de porta-voz do Exército de Israel e lançou, recentemente, o livro “A Guerra das Narrativas”, trazendo informações sobre a Guerra ao Brasil. 

Visão geral do evento. Foto: Abner Palma.

Jairo Roizen, head de Comunicação da Federação Israelita do Estado de São Paulo e mestre de cerimônias, abriu o evento dizendo que esse encontro celebrava não somente ideias e conexões, mas também a força da nossa identidade, da nossa juventude e da nossa comunidade. 

Após ser passado um vídeo institucional do clube, foi exibida uma mensagem gravada, do presidente Deyvid Arazi, em que ele reafirmou a torcida para que todos os reféns retornem para casa e que Israel possa viver em paz. 

Em seguida, foi passado um vídeo institucional do Hillel São Paulo, acompanhado do discurso de Fabio Topczewski, presidente da entidade, que começou lamentando que já se passaram 681 dias em que os reféns estão sob poder do grupo terrorista Hamas, pedindo para que todos os presentes se levantassem em memória às vítimas da Guerra, em um corrente de fé e esperança para que todos que seguem em cativeiro, retornem às suas casas, enquanto era exibido um vídeo clipe de “Habaita”. 

Fabio Topczewski. Foto: Abner Palma.

Ele também ressaltou que o antissemitismo é inabalável, talvez até indestrutível, mas que somos um povo resiliente, com uma capacidade ímpar de superar desafios e renascer das cinzas, e que Israel é um bom exemplo disso. “O verdadeiro problema surge quando as narrativas começam a afetar o nosso próprio discernimento, nos levando a questionar nossas crenças, nossos valores e até nossa história”. 

Roberto Cabrini e Rafael Rozenszajn. Foto: Abner Palma.

Ainda disse que um dos objetivos do Hillel é garantir que os jovens não se percam nessas narrativas, que o dia 7 de outubro diz respeito à toda comunidade judaica, e que Israel e todos nós enfrentamos desafios crescentes, com o aumento alarmante do antissemitismo e das tentativas  de deslegitimização do Estado de Israel. Além disso, destacou que a educação é um dos principais pilares da tradição judaica e a importância de ensinar às futuras gerações sobre nossas raízes. 

Claudio Lottenberg, presidente da CONIB, também trouxe, em sua fala, o grande aumento do antissemitismo e que muitos ainda não reconhecem que Israel está se defendendo. Ainda criticou a postura da imprensa, dizendo que ela adota uma postura tendenciosa em relação ao conflito Israel-Hamas. 

Após os discursos, Roberto Cabrini e Rafael Rozenszajn tomaram seus lugares no palco para a entrevista. Roberto, antes de iniciar as perguntas, destacou a função do jornalista, que é prover informações de qualidade, para que assim, as pessoas tomem melhores decisões e façam melhores julgamentos. E disse, além disso, que assume uma postura totalmente imparcial. 

Claudio Lottenberg. Foto: Abner Palma.

Já o Major disse que sabia que as perguntas feitas seriam difíceis, mas que seriam necessárias, para que o povo brasileiro escutasse as respostas, já que a desinformação no nosso país é muito grande.

Quando perguntado sobre o significado de ‘guerra de narrativas’, o Major disse que é muito desafiador ganhar a guerra midiática, já que o inimigo se usa da mentira como arma de guerra e sobre a dificuldade de encontrar alguém que deseje mudar de opinião. “As pessoas que rejeitam Israel e apoiam o Hamas não fazem questão de debater comigo a questão da guerra midiática.” 

Rafael Rozenszajn autografando seu livro. Foto: Abner Palma.

Em relação à questão da fome e falta de suprimentos médicos na Faixa de Gaza e a responsabilização de Israel por essa situação, acompanhada de alegações de práticas genocidas, o Major trouxe a questão da proporcionalidade, colocando que existem dois fatores a serem analisados, como consta nas Convenções de Genebra: danos colaterais a civis não podem ser exageradamente maiores do que a vantagem militar, e se o dano colateral for maior que a vantagem militar, esse ataque ainda não é ilegal, desproporcional, e afirmou que o Direito Internacional dizia isso. Pontuou também que aqueles que criticam Israel, só veem um lado da balança, os danos colaterais. 

Sobre os limites éticos e morais para a ação do Exército de Israel na Faixa de Gaza, o Major colocou que o Exército cumpre todas as regras do Direito Internacional, e os membros que não cumprem, são penalizados. 

Gaby Milevsky e Estefania Osowicki. Foto: Abner Palma.

Acerca do controle operacional da faixa de Gaza e a questão dos reféns, o Major disse que o objetivo é desmantelar a capacidade militar do Hamas e trazer os reféns de volta. 

Falando do futuro na faixa de Gaza, o Major afirmou que acredita que ela não será mais dominada pelo Hamas e que os reféns retornarão. 

O Major também falou que os objetivos do Governo de Israel nesta Guerra serão postos em prática pelo Exército. 

Acerca dos próximos passos do Exército, o Major disse que se o Hamas não liberar os reféns e largar suas armas, os objetivos da Guerra serão alcançados o mais rápido possível.

Ele também comentou que o Hamas não só odeia Israel, como não se importa com a sua própria população e que a única solução para acabar com o conflito no Oriente Médio é acabar com o Hamas. 

Sobre o suicídio de 44 soldados israelenses, o Major colocou o fato desses soldados terem se deparado com imagens terríveis no 7 de outubro . 

Como porta-voz do Exército Israelense, ele pensa que o objetivo de desmantelar militarmente o Hamas ainda não se concretizou, mas está próximo de se concretizar. 

Acerca da cobertura brasileira sobre o conflito, o Major comentou sobre a presença da desinformação da população sobre os reais dados relacionados ao conflito. 

Sobre seu modo de operação, o Major disse que seu limite é falar a verdade. 

Falando do acesso de jornalistas independentes à faixa de Gaza, o Major afirmou que o Hamas se utiliza de jornalistas independentes para promover sua narrativa e que se precisa de muita cautela quanto à essa permissão. 

O Major também falou sobre seu livro, que traz provas do modus operandi do Hamas, para que as pessoas saibam o que realmente aconteceu. “Eu acho que o público brasileiro precisa se informar. O Brasil é o país com menor nível de rejeição a Israel. Os brasileiros querem apoiar Israel, mas não sabem como.” 

“Eu posso te garantir Cabrini, essa guerra não é com os palestinos, e sim com os terroristas do Hamas”, afirmou ele. 

O Major também disse que via o Brasil apoiando Israel no futuro. 

Sobre o sistema do Exército de Israel, o Major colocou que o Exército está preparado nessa guerra, para defender seu povo. 

Marcia Kelner Polisuk, Daniel Leon Bialski, Rafael Rozenszajn, Fabio Topczewski e Estefania Osowicki. Foto: Abner Palma.

Ele ressaltou que o Estado de Israel é um Estado Democrático de Direito, que cumpre todas as normas do Direito Internacional e que tem compromisso com a verdade, diferentemente do Hamas. Acrescentou também sobre a questão da racionalidade e da irracionalidade, ao colocar os países que fizeram acordos de paz com Israel. 

“Termino dizendo que o povo brasileiro quer apoiar Israel, que está muito desinformado e que não pode ser manipulado pelos meios de comunicação do Brasil, e por isso precisamos de gente trazendo informações reais sobre o que acontece na faixa de Gaza, e poder demonstrar finalmente o apoio que tem por Israel”, finalizou. 

“A vinda do Major, através do Hillel São Paulo é uma oportunidade para a comunidade judaica e para a comunidade maior. É uma chance de acabar com as fake news que circulam por aí. O Major traz os fatos, as fontes. Não são ideias, são fatos”, pontuou Marcia Kelner Polisuk, vice-presidente do Hillel International. 

“As narrativas são tão grandes aqui no Brasil e a população brasileira está muito desinformada, porque as informações, infelizmente, não chegam às pessoas”, comentou o Major. 

Jairo Roizen. Foto: Abner Palma.

“Esse evento é um evento muito salutável, democrático”, disse Roberto. 

“A importância de trazer o Major aqui para o Brasil é grande, pois é preciso informar não só a comunidade judaica, mas também a maior, sobre o que de fato está ocorrendo em Israel no momento”, colocou Fabio.