No último dia 30, o Museu Judaico de São Paulo (MUJ) foi sede do lançamento da pesquisa “Percepções e narrativas da população brasileira sobre os judeus, o Estado de Israel e o conflito entre Israel e Hamas”. O encontro, organizado pelo Instituto Brasil-Israel (IBI), teve como foco a apresentação do documento, realizado em parceria com o Instituto IDEIA, entre junho e novembro de 2024, seguida de um bate-papo com Karina Calandrin, doutora em Relações Internacionais e assessora do IBI, e Renato Levin Borges, doutor em Filosofia.
O evento começou com a fala de Marilia Neustein, diretora de Comunicação do Museu Judaico de São Paulo, agradecendo a presença de todos e destacando as atividades da instituição.
Ruth Goldberg, presidente do Instituto Brasil-Israel, agradeceu ao Museu Judaico, Instituto IDEIA e a todos os demais envolvidos na realização do trabalho. “Há muitos anos, nós, do IBI, vínhamos nos deparando com a necessidade de trabalharmos pautados em dados e informações qualificadas, que tivessem um rigor acadêmico.”
“Essa pesquisa está sendo lançada justamente em uma fase muito complexa de nossa história. Em tempos que a desinformação corre mais rápido que a verdade. Que a violência simbólica, o discurso de ódio e a polarização comprometem a convivência democrática e a segurança de comunidades inteiras, incluindo a nossa comunidade aqui no Brasil”.
Ela ainda reforçou a indignação e repúdio do IBI à decisão do Governo Federal de se retirar unilateralmente da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), como membro observador. “Essa atitude, em um momento de tanto sofrimento humano, cria um campo fértil para a proliferação e estabelecimento de preconceitos e aumento do antissemitismo. E lembremos, que a luta contra o antissemitismo é a mesma que tantas outras lutas. A história nos mostra que vivemos de forma mais segura e livre em sociedades democráticas, abertas e plurais.”
Cila Schulman, CEO do Instituto IDEIA, antes de apresentar os dados da pesquisa, agradeceu a parceria do IBI no projeto. “Buscamos investigar três temas prioritários: judeus, Israel e o conflito com o Hamas, e vocês vão ver que esses três temas se entrelaçam em muitos momentos e revelam uma grande desinformação.”
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Logo após a apresentação dos dados, teve início o bate-papo com Karina e Renato, que abordou temas como ataque a escolas e sua ligação com o antissemitismo e ao imaginário relacionado ao judeu, racialização dos judeus e política externa.
“A pesquisa teve como função principal fornecer dados que antes não estavam disponíveis na comunidade judaica e de uma maneira mais ampla na sociedade brasileira. Muitas vezes eram dadas opiniões sem embasamento em dados. A pesquisa serve para que a comunidade e órgãos fora da comunidade possam se referir a elementos materiais para suas análises e trabalhos que venham a ser desenvolvidos”, disse Karina.
“Esses dados são elementos importantes para pautar o debate e as ações do IBI e das outras entidades espalhadas pelo Brasil”, afirmou Ruth.
“A ideia é que possamos construir materiais de comunicação que sejam mais efetivos, a partir de como as pessoas percebem essas diferentes questões”, disse Pedro Kelson, diretor-executivo do IBI.
“Esse estudo tem uma grande importância muito grande por trazer uma radiografia de como o brasileiro enxerga os judeus, Israel e o conflito Israel-Hamas”, pontuou Cila.

Beatriz Novik Falcão é jornalista formada pela FAAP em 2023. Ainda na faculdade, produziu conteúdo para mídias sociais no Projeto Comprova, além de ser voluntária e monitora na Rádio e TV FAAP, atuando como produtora, roteirista e na parte de gravação. Foi repórter do LabJor FAAP e estagiária de comunicação na Secretaria Municipal de Relações Internacionais (SMRI), na IstoÉ Bem-Estar e Copywright e Gestora de Comunicação na Lemos Consultoria/Artis. Atualmente é Assistente de Comunicação da Fisesp.













