Presidente do TJSP recebe representantes da comunidade judaica para discutir combate ao antissemitismo

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O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), desembargador Francisco Eduardo Loureiro, recebeu nesta sexta-feira (13), no Palácio da Justiça, uma visita institucional de representantes da comunidade judaica. O encontro foi liderado por Célia Parnes, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e secretária-geral da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

A reunião teve como objetivo fortalecer o diálogo institucional e apresentar preocupações das entidades judaicas com o avanço de episódios de antissemitismo no país, além de discutir caminhos de cooperação com o sistema de Justiça para o enfrentamento ao discurso de ódio e a crimes motivados por intolerância.

Pela Fisesp participaram a diretora jurídica Luna Harari, o diretor de relações governamentais Daniel Kignel e o presidente executivo Ricardo Berkiensztat. Pela Conib estiveram presentes o advogado e secretário da entidade Rony Vainzof e a diretora jurídica Andrea Vainer.

Também participaram do encontro integrantes do Comitê Jurídico da Fisesp/Conib: Renato Schwartz, Daniel Bialski e Evane Beiguelman.

Representando o Tribunal de Justiça, acompanharam a reunião os desembargadores Roberto Nussinkis Mac Cracken, Daniel Blikstein e José Damião Pinheiro Machado Cogan, além do juiz assessor do TJSP, Airton Pinheiro de Castro.

Preocupação com aumento de casos

Durante a reunião, as lideranças da comunidade judaica apresentaram dados recentes sobre o crescimento do antissemitismo no Brasil. Relatório divulgado pela Conib, pela Fisesp e pelo Departamento de Segurança Comunitária registrou 1.788 denúncias de antissemitismo em 2024, um aumento de 350% em relação a 2022, quando haviam sido registrados 397 casos.

Segundo o levantamento, a média diária de denúncias passou de uma ocorrência por dia em 2022 para quase cinco casos por dia em 2024, com a maioria dos episódios ocorrendo no ambiente digital.

Além das manifestações online, os registros incluem agressões verbais, vandalismo, pichações com símbolos nazistas e outros crimes motivados por ódio religioso ou racial.

Cooperação institucional

Durante o encontro, foi ressaltada a importância da atuação do Poder Judiciário no enfrentamento ao antissemitismo, especialmente na aplicação da legislação que equipara práticas antissemitas ao crime de racismo no Brasil.

A reunião reforçou o compromisso das instituições judaicas com o diálogo permanente com o sistema de Justiça, buscando fortalecer mecanismos legais e institucionais que garantam a proteção da liberdade religiosa, o combate à intolerância e a promoção de uma sociedade mais plural e democrática.