A Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (13), uma sessão solene em homenagem aos 78 anos do Estado de Israel. A cerimônia foi promovida pelo deputado Gilberto Abramo e reuniu parlamentares, representantes da comunidade judaica brasileira e autoridades diplomáticas.
O evento contou com a presença da presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo e secretária-geral da CONIB, Célia Parnes e da encarregada de negócios da Embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamny.

Em um discurso marcado pela defesa da legitimidade do Estado de Israel, pelo alerta sobre o crescimento do antissemitismo e pela necessidade de diferenciar críticas políticas de hostilidade identitária, Célia afirmou:
“Talvez uma das maiores confusões morais e intelectuais do nosso tempo seja a incapacidade, ou a recusa, de distinguir três coisas completamente diferentes: o governo de Israel, os israelenses e os judeus.”
Célia também destacou que o debate internacional sobre Israel frequentemente ultrapassa o campo político e atinge diretamente judeus ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Segundo ela, o fenômeno transforma divergências políticas em discursos que alimentam hostilidade contra uma identidade coletiva. E contextualizou a atuação de grupos como Hamas, Hezbollah e o regime iraniano, classificando-os como estruturas militarizadas que operam pela lógica da violência organizada e da desestabilização regional.
“Israel não enfrenta povos. Enfrenta essas estruturas”, declarou.
Ao abordar os 78 anos do Estado judeu, Célia relembrou a trajetória histórica do povo judeu e definiu o nascimento de Israel como uma resposta histórica após séculos de perseguições, expulsões e massacres.
“Israel nasceu ferido. Nasceu cercado. Nasceu sob o fogo de quem jurou destruí-lo antes mesmo que sua bandeira fosse hasteada. E, ainda assim, Israel nasceu. E permanece de pé”, disse.
A dirigente também ressaltou a contribuição histórica da comunidade judaica brasileira para o desenvolvimento do país nas áreas da cultura, educação, medicina, ciência e empreendedorismo, reforçando o vínculo entre identidade judaica e pertencimento nacional.
No encerramento, Célia defendeu o fortalecimento de políticas permanentes de combate ao antissemitismo, o aprimoramento dos mecanismos de segurança e inteligência diante do terrorismo e a retomada da definição da IHRA como referência internacional para identificação do antissemitismo.
“Esta sessão possui um significado que ultrapassa a diplomacia. Nossa democracia não pode normalizar discursos que alimentam o ódio enquanto se apresentam como virtude moral”, concluiu.














