O Museu Judaico de São Paulo (MUJ) recebe a exposição Hannah Brandt: Vejo tudo com o coração, com curadoria de Ruth Tarasantchi, uma celebração da trajetória singular de uma das mais importantes gravadoras da comunidade judaica brasileira.

Hanna Henriette Brandt nasceu em Essen, na Alemanha, em 1923. Em 1935, aos 12 anos, chegou ao Brasil com a família, que fugiu das perseguições nazistas pela Holanda. Aqui encontrou uma nova pátria naturalizou-se brasileira em 1941, e uma linguagem artística que se tornaria sua marca: a xilogravura, a arte de gravar na madeira.
Quando criança, desenhar era a forma que Hannah encontrou para se comunicar. Já adulta, ao conhecer a gravura em madeira, se encontrou de vez. Estudou com mestres como Lívio Abramo e Maria Bonomi, foi sócia-fundadora do Nugrasp, Núcleo de Gravadores de São Paulo e recebeu o Prêmio Itamaraty na 12ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1973. Mas o que a distinguia ia além da técnica: ela dizia sempre que transmitia seus “sentimentos para a madeira”. Em entrevista ao Núcleo de História Oral do MUJ, resumiu sua arte com precisão e beleza: “O que eu faço é o que eu sinto e vem de dentro de minha alma.”

A exposição reúne obras divididas em conteúdos temáticos, letras do alfabeto hebraico, paisagens brasileiras e temas judaicos, refletindo uma vida que soube entrelaçar raízes e pertencimento. Durante suas viagens, Hannah trazia croquis que depois transformava em gravuras. Para as festas judaicas, especialmente o Ano Novo, criava pequenas xilogravuras de presente para os amigos. Hoje, essas peças são verdadeiras joias preservadas pelo museu.
O MUJ abriga o maior acervo da artista, parte dele doado pela filha de Hannah após seu falecimento, em 2020. Uma herança que a comunidade judaica paulista tem o privilégio de guardar e compartilhar.
A exposição está aberta ao público no mezanino do Museu Judaico de São Paulo.

Fotos: Mariany Fernandes













