
Uma planta geneticamente modificada capaz de produzir cinco compostos psicodélicos com potencial terapêutico para doenças psiquiátricas pode transformar o futuro dos tratamentos em saúde mental. A descoberta, liderada por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, foi publicada na revista científica Science Advances e inaugura uma nova fronteira na produção de medicamentos para transtornos como depressão resistente, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e dependência química.
Pela primeira vez, cientistas conseguiram reunir em uma única planta substâncias que, na natureza, são encontradas separadamente em plantas, fungos e até animais. A equipe utilizou engenharia genética para transformar a espécie Nicotiana benthamiana em uma verdadeira “biofábrica” capaz de produzir DMT, psilocibina, psilocina, bufotenina e 5-MeO-DMT — compostos que vêm sendo amplamente estudados por seu potencial no tratamento de transtornos mentais.
Além de reproduzir essas moléculas de forma controlada, os pesquisadores também desenvolveram novas variantes com características que não existem na natureza e que poderão ampliar seu potencial terapêutico. “Na prática, criamos uma espécie de coquetel biológico, não misturando substâncias externamente, mas combinando as vias metabólicas dentro de um único organismo”, explica o professor Asaph Aharoni, do Instituto Weizmann de Ciências.
Em outro avanço importante, a equipe conseguiu aumentar em até 40 vezes a produção de uma das substâncias mais difíceis de obter, o que pode acelerar significativamente as pesquisas e o desenvolvimento de novos medicamentos.
Hoje, muitos desses compostos dependem da extração de plantas de crescimento lento, fungos raros ou até espécies animais ameaçadas, o que limita sua disponibilidade para pesquisa e levanta preocupações ambientais. A nova tecnologia oferece uma alternativa sustentável e escalável, permitindo que essas moléculas sejam produzidas em laboratório em poucos dias, sem pressionar ecossistemas naturais.
Mais do que criar uma nova forma de produzir psicodélicos, o estudo abre caminho para uma geração inédita de medicamentos desenvolvidos a partir da biologia vegetal. Os pesquisadores já trabalham em novas aplicações da tecnologia, incluindo plantas capazes de sintetizar combinações completas de compostos terapêuticos e, futuramente, variedades comestíveis que possam fornecer doses cuidadosamente controladas para uso médico. A descoberta reforça o potencial da engenharia genética para acelerar o desenvolvimento de tratamentos inovadores para doenças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.
O Instituto Weizmann de Ciências está entre os principais institutos multidisciplinares de pesquisa do mundo. Com uma comunidade internacional formada por mais de 5.400 cientistas, técnicos de laboratório e estudantes, a instituição se destaca por sua cultura acadêmica vibrante e colaborativa. Há mais de 90 anos, o Weizmann dedica-se à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o enfrentamento de doenças e a proteção do meio ambiente, consolidando-se como um dos centros de pesquisa mais prestigiados globalmente, reconhecido por sua excelência acadêmica e impacto científico. Em 2025, o Instituto foi classificado em 6º lugar no Ranking Leiden, que avalia a qualidade da pesquisa acadêmica com base exclusivamente em critérios quantitativos, como publicações e citações científicas, posicionando-o ao lado de universidades de referência internacional, como Princeton, Harvard, Stanford e MIT.












