Comunidade judaica homenageia vítimas dos ataques de 7 de Outubro em ato solene em São Paulo

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Cerimônia no Memorial às Vítimas do Terrorismo reuniu lideranças, sobreviventes dos ataques e estudantes de quatro escolas judaicas


A comunidade judaica de São Paulo realizou nesta quarta-feira, 7 de outubro, um ato solene em memória das vítimas dos ataques de 7 de outubro de 2023, que completaram três anos. A cerimônia, realizada no Memorial às Vítimas do Terrorismo, no Cemitério Israelita do Embu, em Embu das Artes (SP), reuniu lideranças comunitárias, alunos de quatro escolas judaicas, jovens assistidos pela UNIBES,  educadores e sobreviventes dos ataques.


Promovido pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pelo Chevra Kadisha (Associação Cemitério Israelita de São Paulo), o ato teve como uma de suas principais mensagens a importância de transmitir às novas gerações a memória do 7 de Outubro e transformá-la em um compromisso permanente. Logo na abertura, uma frase sintetizou o espírito da cerimônia: “Ensinar também é lembrar.”

A presidente da Fisesp, Celia Parnes e o presidente do Chevra Kadisha, David Klüger

Um dos momentos mais marcantes foi o testemunho do brasileiro Rafael Zimerman, sobrevivente do ataque ao Festival Nova. Ele relembrou os momentos vividos dentro de um abrigo onde cerca de 40 jovens tentavam se proteger dos terroristas. Apenas nove sobreviveram.

Rafael contou como a experiência transformou sua maneira de enxergar a vida e pediu aos jovens que valorizem as pessoas que amam, perdoem mais e não desperdicem tempo com conflitos sem importância. Também deixou uma reflexão sobre a necessidade de manter viva a memória para além das cerimônias: lembrar o 7 de Outubro apenas uma vez por ano não é suficiente.

Rafael Zimerman discursa

A cerimônia também contou com o relato de Maurício Wenick, que tinha 20 anos quando, como soldado, entrou no Kibutz Kfar Aza durante os ataques. Ele contou que fazia parte de um grupo de 12 soldados que enfrentaram cerca de 140 terroristas. Embora tenha saído sem ferimentos físicos, carregou profundas marcas emocionais da experiência.

Maurício recordou uma mulher que, em meio àquele cenário, lhe disse em hebraico “Yihyeh Tov” — “vai ficar tudo bem”. A frase se tornou tão significativa que ele decidiu tatuá-la no braço. Aos estudantes, deixou uma mensagem sobre a importância de “fazer mais, falar menos e dar valor à vida”.

Maurício Wenick discursa

Memória transmitida às novas gerações

Alunos das escolas judaicas tiveram participação de destaque no ato, com homenagens às vítimas e reflexões sobre o significado de ser jovem e judeu depois do 7 de Outubro.

Vista geral dos alunos
Homenagem dos alunos às vítimas dos atques terroristas

“Nossa identidade não desaparece quando sentimos medo. Ao contrário, ela se fortalece”, afirmaram os estudantes durante uma das homenagens.Uma cadeira vazia simbolizou as ausências deixadas pelos ataques. Representantes das quatro escolas participaram ainda do acendimento de velas ao lado de lideranças comunitárias.

As rezas El Malei Rachamim e Kadish foram entoadas em memória das vítimas, e apresentações dos estudantes reforçaram o caráter de homenagem, reflexão e preservação da memória. O coral da UNIBES encerrou a cerimônia com Erev Shel Shoshanim e Am Israel Chai.

Jovens do coral da UNIBES com bandeiras

Para Célia Parnes, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), preservar a memória do 7 de Outubro significa também assumir uma responsabilidade diante das próximas gerações. “Há datas que pertencem à história e há datas que passam a viver dentro de um povo. O 7 de Outubro é uma delas. Cada vítima tinha um nome, uma história, afetos e um futuro. Três anos depois, a ferida permanece, e preservar essa memória é também reafirmar nosso compromisso de não permitir que o mundo se acostume ao terror, à violência e à desumanização”, afirmou.

Lideranças acendem velas

Em 7 de outubro de 2023, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 foram sequestradas e levadas para a Faixa de Gaza durante os ataques contra comunidades do sul de Israel e participantes do Festival Nova. A data ficou marcada como o dia mais mortal para judeus desde o Holocausto.