A emoção tomou conta do Beit Chabad do Morumbi, em São Paulo, durante a celebração do Bar-Mitzvá de Gabriel Waldman, sobrevivente do Holocausto, que realizou a cerimônia judaica aos 88 anos, mais de sete décadas depois da idade tradicional.
Impedido de viver sua infância e juventude plenamente por causa da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Gabriel não teve a oportunidade de celebrar o Bar-Mitzvá aos 13 anos, como determina a tradição judaica. Agora, cercado por familiares, amigos e membros da comunidade, ele finalmente concretizou esse marco espiritual e simbólico de sua vida judaica.
A cerimônia representou muito mais do que uma celebração religiosa. Foi um ato de resistência, memória e continuidade do povo judeu diante das tentativas de apagamento promovidas pelo nazismo.
Gabriel Waldman carrega uma trajetória marcada pela sobrevivência e pela reconstrução. Nos últimos anos, sua história ganhou repercussão nacional após o lançamento de seu livro autobiográfico, no qual revelou um episódio surpreendente de sua vida: o relacionamento que teve, sem saber, com a filha de Franz Stangl, comandante nazista dos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka.
Gabriel já afirmou ter sido “duas vezes vítima do Holocausto”, ao descobrir, anos depois, a ligação familiar da então namorada com um dos principais responsáveis pelo assassinato de centenas de milhares de judeus durante a guerra.
Após décadas em silêncio, ele decidiu transformar a dor em testemunho. Inspirado pela frase da escritora Karen Blixen, “Toda grande dor pode ser suportada se você escreve sobre ela”, Gabriel publicou um livro como forma de reconciliação com o passado e de preservação da memória histórica.
Seu Bar-Mitzvá, realizado agora aos 88 anos, simboliza justamente essa vitória da vida sobre o horror, da identidade sobre a perseguição e da fé sobre o apagamento.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo celebra este momento histórico e profundamente emocionante, reafirmando o compromisso permanente com a memória da Shoá, a valorização dos sobreviventes e a transmissão das tradições judaicas às futuras gerações.














